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RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 11. Antes da conversa; 12. Temas e fases

18/04/2019

11. Antes da prática da conversa 

Antes de iniciar a prática da conversa para as resoluções, é necessário que se tenha praticado, várias vezes, o Exercício Básico Para Meditação, EBM, e alcançado o Estado Intermediário de consciência, que é aquela sensação de bem-estar e silenciamento dos sentidos. O EBM pode ser encontrado no livro laranja, ou no arquivo de áudio do CD gravado para essa finalidade. 

É importantíssimo que tenhamos entendido como parar de remoer sentimentos e pensamentos. A meditação traz, como um dos primeiros efeitos, o silenciamento dos ruídos, ajudando a aquietar a mente. Simbólica e metaforicamente, ajuda a montar o quebra-cabeça de nosso ser, permitindo mostrar, de maneira organizada, as peças que nossos pensamentos e nossos sentimentos espalharam. Quando a mente fica calma, e tudo se ajusta, é comum que as preocupações ou as ocupações imediatas percam o sentido, possibilitando que direcionemos nossa atenção, de forma mais tranquila e natural, para o que seja realmente importante. Tirando o peso de certos ruídos cotidianos imediatos, podemos fazer o juízo correto de uma série de eventos e fatos que possibilitem ajustar a vida, tornando-a mais leve, ou que possamos tomar decisões adequadas em situações conflitantes. Esse é o equilíbrio ou a harmonia que muitos relatam quando iniciam suas práticas de meditação. Num nível avançado, pode-se trabalhar com a intenção voltada a transformar aspectos importantes da vida. É nisso que trabalharemos aqui. 
Após estar familiarizado com o EBM, é preciso estabelecer um Local de Conforto, que é um acréscimo ao exercício. Sossegado, protegido, harmonioso, nesse “local” podemos neutralizar, separar e dissolver quaisquer características, forças ou traumas que tenhamos sofrido ou causado. A definição do Local de Conforto está no capítulo 6.2 do livro laranja e é o exercício 3, faixa 6, do CD de meditação. 
Depois que criamos o “local de conforto”, podemos ter certeza de que tudo que realizarmos, todas as conversas e lembranças que tivermos, não nos afetarão, pois estaremos seguros, protegidos pela excelente vibração e harmonia que depositamos nesse local criado. Assim, podemos passar para a visualização e a conversa propriamente dita. 
Para todas as práticas, é necessário entrar no EI, ou estar próximo a ele, com o corpo bem relaxado, para que se possa seguir com o exercício proposto e iniciar a conversa. 

Vamos ver o procedimento da “Conversa na Bolha”, conforme descrito no livro laranja: 

“(...) Tem dois aspectos: aquilo que precisa ser eliminado e aquilo que precisa ser recuperado.
(...) É possível conversar com o aspecto a ser eliminado. Uma conversa sincera e com todos os pontos e argumentos previamente listados ou examinados pode ser definitiva para que possamos retirar uma característica negativa para nós. Pode-se, com isso, conseguir compreender melhor um aspecto que não possa ser modificado, mas que possa ser melhorado. É possível fazer isso em relação a si mesmo e a outra pessoa.
(...) A fórmula é sempre a mesma: 
motivação, EBM, EI, visualização, esquecimento 

Acrescenta-se, na técnica da bolha, justamente uma espécie de bolha, cobrindo o aspecto a ser eliminado, em ti mesmo, em volta de ti mesmo ou como se fosse outra pessoa. Há duas possibilidades, então:
1. visualizar a bolha em volta de ti, para que quando ela se dissolva também se dissolva o aspecto negativo;
2. visualizar o aspecto a ser eliminado como sendo uma “outra pessoa”, que ficará na tua frente, envolvida na bolha e pronta para a conversa.
A bolha deve ser transparente, impenetrável, maleável e possibilitar a comunicação. Deve ser visualizada preferencialmente na cor dourada, mas também pode ser azulada, transparente.
O aspecto principal do exercício com a bolha é que o momento do esquecimento é o momento que a bolha se dissipa, dissolvendo junto a característica negativa ou o problema com determinada pessoa.
A motivação neste processo é uma lista de argumentos previamente elaborada que não deixará dúvidas quanto à necessidade de dissolver o problema. Não deixará dúvidas para tua mente, que fique claro.
Novamente detalhando, sempre iniciamos com o EBM e, quando atingimos o Estado Intermediário, podemos iniciar a visualização e já levar o aspecto envolto na bolha dourada para uma “conversinha”.
Quando a conversa estiver bem clara, com vontade visualiza a bolha estourando, dissolvendo-se, como uma bolha de sabão, mas ela dissolve, elimina totalmente o aspecto da conversa. Some, sem deixar vestígio algum. É importante não deixar qualquer vestígio. Podes permanecer mais algum tempo no estado meditativo ou podes ir para o teu local de conforto por alguns instantes.” JARDIM. Práticas Para a Meditação Livre. 7.2. Dissolver. P. 63-4.
 

Precisamos, agora, analisar profundamente cada passo da prática, entendendo perfeitamente o seu fundamento. 
Já vimos que é essencial ter praticado o EBM e reconhecer, minimamente que seja, o Estado Intermediário. É preciso ter “criado” ou pelo menos sentido o local de conforto, estabelecendo uma segurança interna.

Agora, vamos iniciar a entender a argumentação, ou os motivos que nos levam a querer transformar algum fato, evento ou característica. Tudo isso precisa ser entendido para que a visualização seja correta e, posteriormente, os efeitos sejam sentidos. 
A motivação, definida no livro laranja, como “o objetivo, o que eu quero,”, pode ser o sintoma imediato, o que nos traz inquietação, ou a causa real e profunda, quando já estiver reconhecida. É, também, o que pode ser trazido à tona pela própria prática. 


12. Temas ou fases 

Quando temos muitas situações de conflito, podemos separar as “conversas” por fases ou ciclos de vida, e por temas originais: 
Fases ou ciclos: primeira infância; adolescência; casa da avó; mudança de família; parentes; adolescência; escola; etc. 

Temas originais: 
rejeição, pode originar-se desde o útero e tem muito reflexo na sexualidade e na inferioridade sentida, causando reações em diferentes etapas da vida e em todas as formas de relacionamentos;
abuso, que pode dar origem a outros problemas de sexualidade, inferioridade e a rejeição do próprio corpo, de que se esteja “errado” no próprio corpo e em si mesmo;
opressão, que geram o enclausuramento, inferioridade, perda de vitalidade e força de vontade.
culpas, ou “o que fiz”, quando nos damos conta de que causamos um sofrimento, devemos fazer a conversa da mesma maneira, visualizando nossas reações e comportamentos diferentes e a situação tendo um desfecho ameno. Analisamos essa parte em detalhes no tópico 3. 
Esses poderão ser os temas originais, que desencadeiam os pensamentos negativos ou modos de vida que aprisionam, bloqueando a manifestação plena. Corretamente analisados, dissolvem suas influências em nossa vida. Os tipos de trauma conhecidos pela psicologia podem ser acrescentados à lista de temas. 
Ao nomear fases ou temas, devemos entendê-las como palavras-chave que são a origem de sentimentos e complexos que interferem na manifestação da vida. Então, precisamos analisar isso tudo de forma absolutamente transparente. É preciso entender que muitos sofrimentos dão origem a pensamentos de reclusão, inferioridade, de que a humanidade é ruim, de que não podemos conquistar nosso lugar no mundo. É preciso entender com profundidade os nossos esquemas mentais e nossos processos psicológicos para poder diferenciar reações a sentimentos e complexos, de espiritualidade profunda, como sendo aquela que entende os enganos do mundo. Somente quando resolvermos, de fato e profundamente, as principais causas de nossos problemas e frustrações, podemos entender o mundo e o que está além dele. 
É preciso entender onde tudo isso interfere na vida, impedindo que ela seja plena e alegre. Durante o processo, e a cada conversa na bolha, é importante afirmar, com veemência, que estás livre, que aquilo não tem mais influência na tua vida. 

Assim, vamos construindo uma base sólida de conhecimentos sobre quem somos e o que nos impede de estarmos plenos. Essa base nos transforma no adulto protetor que vai fazer o papel de transformador de sentimentos negativos, que vai sublimar as emoções e, com isso, trazer nossa consciência para o presente e construir o nosso futuro. As práticas vão trazendo à tona importantes fatos, quando ficamos conscientes, e sensações, quando não estamos totalmente cientes. Essas sensações precisam ser analisadas, anotadas e colocadas novamente na bolha até que sejam dissolvidas. 

Próximos tópicos:
13. A Conversa na Bolha - outras considerações e utilizações;
14. Formas de visualizar a bolha.


RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 10. Mecanismos de Defesa e Dramatizações

11/04/2019

10. Mecanismos de defesa e dramatizações 

O autoconhecimento envolve estar ciente dos principais mecanismos cerebrais, mentais, psíquicos. Saber que escondemos fatos, de nós mesmos, ou que podemos estar vendo o mundo de uma maneira própria apenas para que possamos suportar uma dor ou uma frustração, é essencial para que consigamos perceber nossa forma de atuação no mundo. Se, para qualquer pessoa, o cérebro comanda praticamente todas as decisões (o inconsciente decide muito mais que o consciente), para uma pessoa que tenha tido sua cronologia de vida interrompida por fatos traumáticos isso é muito mais claro e verdadeiro. É preciso entender que podemos estar vivendo de acordo com mecanismos de defesa, a saber: repressão (evita a realidade); negação (exclui a realidade); racionalização (redefine a realidade); formação reativa (inverte a realidade); isolamento (divide a realidade); regressão (escapa da realidade); projeção (coloca sentimentos na realidade). Não é necessário entender tudo isso de maneira consciente, nem é necessário estudar toda a obra de Freud, que definiu magistralmente esses mecanismos, para sabermos que reproduzimos muitos deles em alguma etapa de nossa vida ou que, de alguma maneira, vivemos praticamente cegos sobre os motivos que nos levam a sermos como somos, a gostar do que gostamos, a querer o que queremos... porque não podemos perceber o que manifestamos para nos proteger ou para escondermos o que nos desagrada. 

É preciso entender que temos um verdadeiro mundo próprio, quando usamos nossa representação mental para entender e viver nesse mundo. Se tudo é uma representação, e essa representação pode ser o que comanda a “fábrica de caminhos neurais”, podemos utilizar tudo isso, que nos comanda de maneira inconsciente, revertendo-os em nosso benefício. Podemos utilizar mecanismos para realizar, em nosso cérebro, em nossa mente, em nossa psique, o trabalho de dissolução de fatos traumáticos, negativos ou prejudiciais. 
Nossa técnica, a “Conversa na Bolha”, pode ser corroborada pelas teorias apresentadas na representação mental, teatro psíquico ou dramatização. Elas podem trazer-nos explicações sobre o que ocorre quando, com um mecanismo de defesa, produzimos uma representação do mundo para nós mesmos; Usando as ferramentas mentais com o “teatro interno”, podemos solucionar um fato obscuro ou escondido, dominando-o e retirando sua força. 


A Dissolução e a Conversa na Bolha 
A “Conversa na Bolha” é uma representação mental com a qual assumimos um papel de “adulto” ou superego completo, ou mestre da existência, ou uma essência desperta para nós mesmos. 
A conversa na bolha é uma forma de dramatização consciente que nos auxilia a sermos transformadores de nossa própria existência. Com ela, podemos assumir nossas falhas e erros, mas de forma adulta, como verdadeiros tutores de nossa existência passada. Assumimos o papel daquele que orienta, indica, acolhe, protege, mas é severo, porque vai querer eliminar aquela velha forma de posicionamento. Esse mesmo mecanismo será utilizado para o caso de sofrimentos: Assumimos a forma de um tutor maduro, que vai até os momentos de sofrimento e dor, acolhe, protege, retira a tristeza, compreende, faz assumir que certas decisões foram tomadas por falta de maturidade ou pela incapacidade de compreender as situações de maneira plena, mas que está ali para mostrar que a vida segue e pode ser alegre. 


Origem da conversa na bolha 
A “Conversa na Bolha” é a nossa principal ferramenta de trabalho para os aspectos da personalidade, tanto para iniciados no MOINTIAN como para leitores iniciantes. Ela nos ajuda a isolar um problema, uma situação, uma reação ou um fato, de maneira que possamos nos sentir protegidos e confortáveis. 

A primeira referência sobre a “Conversa na Bolha”, está registrada no livro Os Incríveis Seres de Dois Mundos, nas páginas 132 e 133, quando o personagem Joca descreve como conseguia reverter uma situação desagradável. Depois, eu apresento a técnica no livro Práticas Para a Meditação Livre, no capítulo 7.2. A partir deste tópico eu a apresentarei em detalhes, com suas variadas utilizações e com exemplos práticos. 
Na década de 1990, eu estava dedicado ao meu autoconhecimento. Eu estava tentando entender os meus desvios de conduta, os meus hábitos, as minhas qualidades e as minhas percepções. Foi quando iniciaram a surgir, como fruto de profundas meditações, os caminhos para que eu entrasse profundamente na minha psique e corrigisse o que fosse necessário. Várias ferramentas surgiam, possibilitando romper com traços e características que não estivessem de acordo com o meu processo evolutivo. Elas foram decisivas no meu processo interno. 
Com o surgimento do MOINTIAN, eu as considerei muito básicas, pois eram referentes ao conhecimento da personalidade. Por isso, ficaram fora do treinamento espiritual para a ascensão proposto no Método. 
Muitos anos depois, eu notei que os alunos não conseguiam fazer a relação entre as autoaplicações, com a energia do Método, e os momentos de profunda meditação e autoconhecimento, utilizando-se do acréscimo das ferramentas oferecidas, e decidi escrever o livro Práticas Para a Meditação Livre, de capa laranja. Nele, expus as técnicas básicas para o trabalho com a meditação, no sentido de despertar o autoconhecimento, listando algumas das ferramentas que utilizava naqueles anos passados. Por isso, formulei o livro como um curso básico para a construção e análise da personalidade. 
Logo, algumas questões de cunho profundo foram feitas, o que tornou importante realizar um trabalho que esclarecesse sobre a filosofia do Método e indicasse um caminho para aprofundar o autoconhecimento. Isso foi feito com o livro Uma Nova Consciência Para Uma Nova Humanidade, de capa verde. 
Agora, este trabalho aprofunda aquela semente, dando uma explicação mais detalhada sobre a maneira de realizar as meditações e para corrigir determinadas características da personalidade de modo prático. 

Próximos tópicos: 

11. Antes da Conversa na Bolha 
12. Temas ou Fases

RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 8. O que é programação mental? / 9. Como visualizar


30/03/2019

RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - PARTE VI
A PRÁTICA DE RESOLUÇÃO – A CONVERSA NA BOLHA 


8. O que é a programação mental? Como realizar? 

Um caminho neural pode ser entendido como a forma que o cérebro grava um conhecimento, um padrão, um trauma, um medo, um bloqueio, uma forma de comportamento. Quando se estabelece, deixa um mapa de como as reações e sentimentos devem ser interpretados, determinando as formas de ação, reação e de pensamentos de uma pessoa. Dessa maneira, uma vez estabelecido, desfazer ou refazer um padrão de comportamento ou reação, exige um processo consciente e disciplinado. É isso que justifica a tomada de consciência e o autoconhecimento para que se possa desprogramar ou reprogramar as nossas reações e sentimentos. 
É sabido que o cérebro leva um tempo para que consiga refazer ou desfazer um caminho neural. Um caminho neural é a maneira como, por exemplo, um conhecimento se instala. Isso também serve para um hábito ou uma característica. Quando se fala que podemos modificar hábitos ou características, devemos seguir determinadas “regras” do próprio cérebro para que isso seja possível. Com a forma que ensino, pelo afastamento ou pela dissolução, estou querendo dizer que podemos dar uma ordem ao cérebro para que desfaça um caminho antigo e crie um novo, que estabelece um novo hábito ou característica. É como aprender algo complexo. Exige disciplina e dedicação, mas, com o tempo certo, torna-se um processo automático ou um hábito. 
Quando alguém não se conhece, não entende seus comportamentos e as formas de organizar seu pensamento para elaborar e interpretar seus sentimentos, dizemos que a pessoa está cega para si mesma, cega para a maneira como vive e como reage ao mundo. 


Os melhores horários para as práticas 
pela manhã - logo cedo, como a primeira coisa a ser feita, e sem nenhuma atividade mental ou distração, como nas redes sociais, ou notícias, por exemplo;
à noite - como a última coisa a ser feita, desde que se recolha cedo para um ambiente sossegado. É preciso deixar um tempo para a absorção da experiência antes do sono. 

O período de prática 

Deve-se levar um período de vinte e um dias, ininterruptos, para estabelecer a nova característica ou eliminar uma influência de nossa vida. A atitude mental deve ser firme e, durante o dia, permanecer com o pensamento na conquista. 
Essa é a regra geral do cérebro para a programação mental. É uma lei aceita e eficaz, quando se segue diligentemente o processo. 

Quando a programação é parte do processo de descoberta e dissolução de traumas, mais que de programação ou desprogramação de características, e após o trabalho inicial de descoberta das causas reais, os horários podem ser pela manhã e/ou no início da tarde, mas nunca como a última coisa a ser realizada a noite, devido à profundidade da experiência e à possibilidade de reviver certos dramas perturbadores. 


O ambiente da prática 

É preciso ter um local sossegado no qual se possa permanecer em silêncio e sem interrupção por, no mínimo, quarenta minutos. 
Deve-se criar uma atmosfera harmoniosa e observar alguns parâmetros iniciais, como: 

- Estabelecer uma disciplina para a prática, pois o período inicial de 21 dias precisa ser respeitado;
- Estar familiarizado com o Exercício Básico Para Meditação (EBM);
- Criar um Local de Conforto, conforme definido no livro Práticas Para a Meditação Livre, e que será comentado no tópico 10. 

9. Como visualizar e o tempo de prática de resolução

Para a realização dos procedimentos, devem ser dedicados entre 30 e 40 minutos diários. A prática do Exercício Básico Para Meditação, EBM, fica entre 15 e 20 minutos e a prática da visualização e conversa não deve exceder 10 minutos diários. 

Para cada situação, uma prática. Se muitas situações são semelhantes, pode-se iniciar trabalhando com o conjunto, ou “tema”, conforme será definido no tópico 11, por um período de 21 dias. O período de 21 dias é essencial para que as memórias despertem ou para que as causas reais apareçam ou sejam descortinadas. Após isso, pode-se trabalhar com as causas descobertas, separadamente, por mais algumas vezes, até que seja possível sentir a dissolução. Deve ser identificado que algum resultado tenha sido atingido. Se for necessário, não há problema em realizar mais vezes, atingindo um total de um mês de trabalho de resolução. Após isso, se ainda persistem sintomas e características, será necessário parar por cerca de dez dias para recomeçar um novo ciclo. Frequentemente, é nesse período de parada dos exercícios que se estabelece um novo padrão de consciência, isso quando as resoluções não acontecem no período das práticas. 

Antes de iniciar, é aconselhável fazer uma lista criteriosa, analisando, por exemplo, os abusos sofridos, as mágoas, os medos e também as culpas. Tudo isso precisa ficar organizado por temas, períodos de vida e pessoas. A análise escrita é essencial para a organização das ideias e para que o trabalho seja efetivo e rápido. 
No entanto, se a prática for realizada apenas para amenizar, dissolver ou retirar a importância de um fato ou situação do cotidiano, não é necessário realizar por 21 dias. Realiza-se apenas um ou duas vezes, ou conforme seja possível sentir que os efeitos foram atingidos. Para iniciados, há uma prática específica para esse caso, com a utilização de símbolos, no tópico 16. 


Resumo do tópico 9: 
- primeiras vezes: 30 minutos 20 minutos para o EBM e 10 minutos para a conversa na bolha;
- 21 dias para estabelecer “conexão” com a memória;
- mais alguns dias, no máximo de 10, para trabalhar nas causas e para encontrar respostas;
- pausa de 10 dias, quando não se encontra resultados;
- retomada.
- os casos simples não precisam de repetição, basta sentir o resultado;
- nos casos mais complexos, é após o ciclo inicial que afloram os sentimentos e reações. Portanto, a continuação é importante. Deve perdurar até que os sintomas ou reações amenizem e até que, como efeito, ocorra o afastamento ou o distanciamento das reações. A lembrança fica, mas as reações diminuem até o ponto de serem reconhecidas, mas não interferirem no cotidiano. 
Essa é apenas uma apresentação dos passos, para o que se define como “programação mental”. É a base para entender o funcionamento dos mecanismos mentais que permitem a dissolução de um evento ou a aproximação, por mentalização, de algo necessário para uma mudança efetiva. Veremos claramente todos esses passos adiante, a partir do tópico 11. E, no final, um resumo com os passos claros e outros exemplos de utilização. 


Próximos tópicos: 

10. A Dissolução e a Conversa na Bolha; 
11. Temas ou Fases. 


RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 7. O Lado Positivo das Emoções / Sobre a Autotransformação


23/03/2019

7. O lado positivo das emoções e sobre a autotransformação 


O Lado Positivo das Emoções 

De uma perspectiva geral, para uma pessoa que tenha se trabalhado e se conhecido bem, medo, raiva, ansiedade, podem ser positivos, quando determinam comportamentos e quando trabalham a serviço de uma mente equilibrada. O medo serve para proteger, e pode ser aguçado quando é a tradução de uma intuição que avisa que algo não está bem. A raiva pode ser a força geradora de um trabalho, mesmo que se esteja cansado e pareça impossível realizá-lo; pode ser aquele ímpeto responsável pela realização de um exercício mais forte, ou a disposição para atingir uma meta essencial. A ansiedade pode ser a movedora que induzirá a conclusão mais rápida de uma tarefa ou que impulsiona para que se saia do lugar comum. 
Dentro do processo evolutivo, todas as emoções aparecem. É preciso estar com elas em equilíbrio, sem expressar um extremo ou outro, conforme vimos no tópico anterior, sobre os aspectos positivos e negativos dos “pecados”. Isso serve para todos os aspectos do nosso ser. Se exageramos numa qualidade, ela pode se tornar um defeito, quando exigimos que os outros sejam como nós, ou quando nos policiamos excessivamente, em vez de ficarmos equilibrados e relaxados... 


Sobre a autotransformação 
Somente quem estiver livre, de corpo, mente e sentimentos, poderá de fato crescer espiritualmente. A liberdade advém como consequência da autotransformação. Mas é necessário querer a liberdade, e ao preço de deixar ao vento as folhas secas que caem do outono enevoado das nossas lembranças.
Manual do MOINTIAN. Efeito das Iniciações. P. 54
 
A respeito dessa citação, houve um questionamento, sobre se mudar um hábito é na verdade uma transformação. O que é autotransformação, nesse contexto? Como se atinge isso? 
Reconhecer um hábito nocivo ou uma característica negativa é um passo importante para o autoconhecimento. Transformar um hábito nocivo em algo positivo ou retirá-lo de nossa vida é, em si, transformação. Podemos definir autotransformação, dessa maneira, como a capacidade de análise, de reconhecimento de uma característica e o domínio disso para mudar algo que nos limita ou incomoda em algo que nos move e nos estimula. 
Mesmo que se reconheça, domine e elimine uma característica (ou um trauma), ela ainda permanece ali, porque somos seres que vivem imersos em um mundo no qual as características negativas estão intrínsecas à vida nesta atmosfera, neste planeta. Foi como descrevi no livro Uma Nova Consciência...: faz parte do kit humano apresentar certas emoções, características ou “defeitos”. Então, sempre que nos conectamos a algo que, em um momento, esteja afastado, distanciado de nós mas que faz parte do mundo, podemos trazer essa parte do mundo de volta para nossa realidade e consciência. Por exemplo, e de maneira rudimentar, se afastamos de nós a reação de raiva mas nos aproximamos e convivemos com pessoas “raivosas”, teremos absorvido um pouco dessa raiva. A eliminação real de uma característica negativa só poderia de fato ocorrer se a coisa em si fosse eliminada de toda a esfera planetária ou dimensional. Sendo assim, a única forma de não recorrer a um erro ou a uma emoção negativa é a atenção, a disciplina e a eliminação da importância que um fato teve em nossa vida. Quando neutralizamos um fato que gera trauma ou conflito, retiramos sua força. Se retiramos essa força, diminuímos as reações negativas que teríamos cada vez que algum mecanismo ative a lembrança sobre o fato, como uma reação de raiva ou mesmo de estagnação. 

Dispomos de ferramentas que nos auxiliam para que possamos entender os problemas e, até mesmo, que possamos eliminar os efeitos que teriam no nosso processo interno. A consecução interna, a realização pessoal no âmbito psíquico e espiritual, independe da “pureza idealizada”, mas está relacionada com uma conexão com um nível de pureza e com os efeitos que isso acarreta na vida imediata. 
Essa conexão funcionaria como o afastamento do problema, no sentido de integrar em si uma dimensão de realidade diferente. No entanto, mesmo tendo realizado uma conexão com algo “puro” ou “superior”, a volta à vida normal ou à realidade vigente, vai trazer um pouco das possibilidades anteriores. Sendo assim, somente o desligamento de toda uma dimensão traria a eliminação real de algo. É importante encontrar uma conexão com algo mais puro, transcendente até, mas que não traga fuga da realidade. É importante entender que o principal mecanismo é o afastamento ou desligamento das causas reais, entendendo os fatos ocorridos, mas sem revivê-los e sem senti-los a cada lembrança. 
Como chegar a essa conexão com uma realidade diferente? Ela pode ser consciente ou não. A consciente, nos traz uma tranquilidade e aquele tipo de “hipocrisia” da qual falo no livro verde: entendo os problemas, mas sinto alegria por estar vivendo no mundo. A inconsciente, é mantida pela fé e por notar uma sutil diferença na maneira de encarar a realidade da vida: reconheço ou sei que existe uma força interna que me mantém íntegro e alegre. 

Quando algo muda em nós, relativo, por exemplo a um hábito, é como se víssemos aquilo que fomos, fazíamos ou gostávamos de uma forma distanciada. Parece que “não somos mais nós mesmos”. É como se, antes, estivéssemos em uma bolha, uma bolha de sensações e atitudes, que foi estourada, dissolvida e que agora nem entendemos como as pessoas que estão dentro dela, ou que permaneceram nela, continuam com aquilo. No entanto, estamos em outra bolha, outra forma de pensar, outra maneira de ver. Mas, ainda estamos, como sempre, dentro de bolhas de emoções, sensações, pensamentos e atitudes, que são as que nos moldam, nos formam como seres. 
A resolução real de algo está na diferença de sua manifestação. É preciso entender que a eliminação, de fato, não ocorre mas, sim, a transformação do nível de manifestação, até o mais próximo de sua eliminação e dos efeitos que pode ter trazido para outros, quando for algo como uma ação contra outra pessoa. 

É impossível que alguém que tenha entendido essa mudança de consciência queira voltar ao nível anterior. No entanto, as sementes sempre estarão em nós. Por isso, o pensamento diligente, o entendimento de todos os processos, dos efeitos, e até mesmo de uma “moral”, no sentido do bom senso e do senso comum, farão a diferença para que alguém entenda como se comporta e como está controlando suas transformações. 
A questão da autotransformação é, talvez, uma das reflexões mais importantes e profundas. 
Mas, como entender o que precisa ser mudado? Como saber se estou no caminho certo? Eu costumava tomar uma reflexão assim, anos atrás, e ir atrás de uma resposta, entrando profundamente em mim mesmo. Enquanto eu não conseguisse a resposta eu continuava entrando mais a fundo e exigindo a resposta de mim mesmo. Mas, aquilo não era algo de elaborar o pensamento a respeito, senão em como entender o sentido e deixar que, do fundo de mim mesmo, ou de uma dimensão superior, brotasse o conceito que eu precisava. Eu me acostumei a fazer isso. No início, pode levar dias para se conseguir entender um conceito; depois, algumas horas. Na maioria das vezes, eu consigo entrar em Estado Intermediário e atingir algum nível quase instantâneo de resposta. O que difere uma resposta profunda e absoluta de uma resposta sujeita ao equivoco é o motivo pelo qual é perseguida a resposta. Depende do nível de interesse ou de preocupação da pessoa que pergunta. Por exemplo, quando preciso responder algo a outra pessoa, a resposta depende do interesse que se tenha e das ligações que se mantenha. Isso está de acordo com o que explico a seguir, quanto ao conceito de intuição verdadeira ou falsa: 
Sempre me perguntam sobre como ter certeza a respeito de alguma coisa. Perguntam-me sobre como saber se um pensamento que vem é uma intuição, um julgamento ou uma simples análise mental e como identificar se isso é verdadeiro ou falso sobre a coisa pensada. Pois eu posso afirmar que sempre que for a respeito de algo desejado, haverá um engano. Sempre que nossa vontade de saber a respeito de algo, de alguém, de alguma coisa, for estimulada pela posse, pelo desejo, pela vontade de possuir, de reter, de obter, e até mesmo de ajudar, fará um juízo falso que tomará conta da nossa mente e das nossas sensações. Somente aquilo sobre o que não temos necessidade, nem desejo, nem vontade de possuir, pode ser ou vir à mente como real intuição e como julgamento verdadeiro e profundo sobre alguma coisa.
Por exemplo, se uma pessoa está apaixonada, ou tem afinidade, interesse de alguma ordem, por outra, e queira saber se essa lhe é leal, então entrou o sentimento e vem o julgamento a respeito, o interesse, o que ela quer e o que deseja dela. Assim, não aparece a intuição verdadeira.
 
Por isso que, na análise de si mesmo, que é profundamente mais complexa, é necessário um tempo para que as paixões, os interesses e as máscaras sejam derrubadas, desbloqueadas e possamos ver as situações, as emoções e quem somos verdadeiramente. Muitos enganos podem surgir, pelos vários mecanismos que a mente utiliza para se proteger. Mas, quando se persiste, há um avanço imenso, e uma abertura imensurável da consciência. 

A partir do próximo tópico, entramos na preparação para a Prática de Resolução – A Conversa na Bolha. 

Próximo tópico: 8. O que é programação mental? Como realizar? 


RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 6. Ainda sobre os sete pecados capitais

15/03/2019


6. Ainda sobre os sete pecados capitais 

    Conforme vemos no livro Uma Nova Consciência Para Uma Nova Humanidade, os praticantes e membros de determinadas correntes espiritualistas estavam acostumados a lidar contra os sete pecados capitais. 
“A maioria das escolas, métodos e tradições mais antigas, davam uma ênfase muito grande ao processo que chamavam de eliminar defeitos do ego, características negativas do ego ou defeitos da personalidade. Com isso, seus alunos ficavam muito focados nos seus conflitos e problemas. A ênfase nos defeitos gerava muita frustração, muita expectativa e muita comparação entre os membros de tais escolas, que queriam saber: será que já eliminei tudo o que preciso? Será que eu fantasiei o resultado? Será que fulano já superou seus obstáculos? Será que estou querendo ser melhor que os outros? Será que estou muito pior que os outros? Gerava, portanto, muita comparação entre os companheiros de jornada, policiamento entre os membros e frustrações diversas, quando se achavam abaixo da média esperada. Isso sem falar que as ferramentas utilizadas no processo de eliminação de tais características estão todas desatualizadas.
“Para resolvermos um conflito precisamos entrar em um estado de consciência no qual possamos estar livres de determinados problemas ou de determinadas manifestações negativas de nossa personalidade. Essas manifestações negativas podem estar relacionadas com aquelas que ficaram conhecidas tradicionalmente como os sete pecados capitais, a saber: ira, inveja, gula, cobiça, orgulho, luxúria e preguiça.” Uma Nova Consciência Para Uma Nova Humanidade. Cap. 4.1
Esses métodos baseavam suas práticas no pressuposto de que deveriam eliminar diretamente cada um desses “pecados” ou “características do ego”, que seriam, sempre, negativas. No entanto, sabemos que isso gerou e gera uma série de desordens, podendo desencadear outros processos psicológicos mais profundos. Na verdade, era atacar apenas um sintoma, conforme vimos até aqui, e não a origem real de um problema. Se alguém simplesmente lutar para eliminar sua raiva, estará lutando contra um sintoma, uma reação, mas não para eliminar a causa real de seu problema. A luta direta contra um “defeito”, como designavam, pode ser ainda mais repressora. Parecendo resolver algo, essa luta desloca mais para o fundo da consciência algo que precisaria ser analisado e dissolvido. 

A proposta da análise por dissolução soluciona esse problema, pois vai na busca pela causa real, para sua possível dissolução. No livro verde, eu falo especificamente do “afastamento”. Mas aqui, buscamos ir mais profundamente nas causas.
Além disso, é preciso entender que esses “pecados”, também têm dois aspectos, os extremos, que são igualmente negativos ou perigosos: são sintomas!

Ira - define-se como a raiva excessiva por uma situação ou pessoa e que pode ser voltada contra si mesmo, quando nos agredimos como compensação, por um problema profundo; é o rancor, desejo de destruição. Em seu extremo oposto encontra-se a passividade e a complacência exageradas;
Inveja - deseja o que o outro tem, não se satisfaz consigo mesmo, nem com sua vida. No extremo oposto, entra a apatia e passividade, indiferença e desamor.
Gula - é o apego ao mundo e ao excesso descontrolado. Sua contraparte pode ser, em casos extremos, a anorexia, a incapacidade de ingerir alimentos, e o desgosto pela vida em si.
Cobiça - que muitos grupos mais ortodoxos relacionam com a gula, pelo descontrole e o desejo pelo alheio, é também o ciúme, ou em sentido oposto, o desgosto e a depressão.
Orgulho – orgulho manifestado como arrogância, presunção, pode ter sua contraparte extrema como excessiva passividade, falta de amor próprio, bajulação, servilismo.
Luxúria - como identificação ao mundo material e ao prazer exagerado, por um lado e, por outro, pode ser a perda da energia vital por uso excessivo ou por problema físico, como impotência e frigidez, e também a perda da identidade, resultando em desequilíbrio intenso.
Preguiça - como negligência, procrastinação, aversão ao cuidado próprio, e depressão, tem sua contraparte na excessiva vaidade e no perfeccionismo excessivo. 

Em outro aspecto, ou com uma definição mais ortodoxa, definem-se assim os pecados, que são aspectos negativos, e as virtudes, que correspondem aos aspectos positivos: 

Soberba – Humildade; Avareza – Generosidade; Luxúria – Castidade; Ira – Paciência; Gula – Temperança; Inveja – Caridade; Preguiça Diligência. 


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RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 5. A causa real e o problema da meditação

09/03/2019 


5. A causa real e o problema da meditação 

Ansiedade é, em grande parte, originada por um medo profundo. Dizer simplesmente “sou ansioso e preciso ficar calmo” é estar indo contra a resolução de um problema. Diante disso, temos aqui a razão pela qual a meditação pode ser “perigosa” ou contrária ao pressuposto da “paz e quietude” que muitos procuram. Porque, quando a pessoa iniciar suas práticas, ela pode realmente se sentir melhor: ela aquieta a sua parte externa, o ruído externo, e toda aquela necessidade de estar realizando coisas ou, em outro ângulo, de estar esperando por resultados ou que as coisas se resolvam rápido. Então, a ansiedade, que na verdade é apenas o reflexo da pressa em atingir um resultado ou a necessidade de estar ocupado para não entender, para não enxergar a causa real desse sintoma, pode estabilizar-se. No entanto, aquele conflito interno fica mais potente, pois a quietude externa dá força para que as imagens, memórias e sentimentos não compreendidos sejam processados da maneira correta. As atividades externas e as exigências morais, no caso de uma resolução imediata que a pessoa necessite, ou a pressa por resultados, que na verdade escondem o medo da perda e rejeição, são barreiras criadas inconscientemente para preencher a realidade vivida, turvando ou perturbando aquelas mensagens provenientes dos pensamentos sendo elaborados. 
É nesse ponto que a meditação pode ser profundamente perturbadora ou a chave para a resolução de problemas: Os que procuram placebos, preferem os tratamentos com entorpecentes para aliviarem a dor da percepção que provém de suas mentes; Os que pensam que substâncias alucinógenas aceleram o processo, vão abrir as portas do mundo da percepção astral, que irá trazer os seus demônios com força total, e um perigo maior se instala; Mas, os corajosos que, com abertura de sua mente, conscientes, limpos, continuam, vão encontrar as respostas para suas inquietudes dentro de si mesmos. 
Então, os maiores mistérios lhes serão revelados, pois haverá o encontro com as raízes dos seus medos, frustrações, ansiedades, tornando-os alegres, livres, cheios de vitalidade. Porque essa vitalidade será a energia da vida direcionada de maneira certa. Não há mistério nisso. 

É preciso entender que necessitamos de amadurecimento emocional, o qual nos torna equilibrados para sentirmos o que for preciso, na hora certa, e não por antecipação. A antecipação ou a repressão de um sentimento é sinal de problema. É preciso entender onde estou. Em qual época, em qual dimensão. Porque se vivo no passado e no que me ocorreu, manifesto uma vida incompleta, imperfeita. 
Quando retiramos as mágoas profundas, os medos, a negatividade, podemos viver mais intensamente nosso agora. Somente assim terá sentido dizer que “vivemos um agora”, pois retiraremos os pontos de fuga de energia originados em momentos distintos de nossas vidas. Usando a metáfora de uma planta, não teremos mais os brotos ladrões de nossa seiva, mas um caule firme, viçoso, cheio de vida. 
“Os sistemas de crenças transmitidos através dos meios de comunicação de massa, que a maioria das pessoas crê como verdadeiros, constantemente alimentam os traumas, bloqueios e sentimentos negativos, impedindo que floresça a verdadeira essência de cada ser. As ideias e conceitos estabelecidos podem fazer muitas pessoas reforçarem sentimentos de perda, mágoas ou, ao contrário, a lembrança de momentos positivos que viveram e que não fazem parte das suas vidas no presente. A maioria destas pessoas sente-se agradecida por estes fatos terem sido revividos, parecendo que deixaram um tempo mais feliz para trás. Mas se o presente é menos importante ou não tão feliz como o passado, algo há de errado com o agora. Deve-se, então, trabalhar para descobrir onde a alegria foi perdida. Somente quem estiver livre, de mente, corpo e sentimentos, poderá de fato crescer espiritualmente. 
“A liberdade advém como consequência da autotransformação. Mas é necessário querer a liberdade, e ao preço de deixar ao vento as folhas secas que caem do outono enevoado do tempo das nossas lembranças...”       Manual do MOINTIAN. Efeito das Iniciações. P. 54. 


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RESOLUÇÕES PROFUNDAS II - 4. Medo, raiva, ansiedade e as causas reais

07/03/2019

4. Medo, raiva, ansiedade e as causas reais

A busca pela causa real é a chave para tudo. É preciso diferenciar o que é reação do que é causa original. As reações são os sinais que o nosso corpo e nossa mente produzem para nos informar de que algo não está de acordo com o que gostaríamos. As causas podem ser geradas por uma característica negativa, mas também por um conflito interno gerado por forças externas como os traumas de abuso, rejeição, opressão, uma conversa que teve um desfecho negativo ou até mesmo guardar mágoas e sentimentos sem poder expressá-los. 
Uma raiva, por exemplo, pode estar ocorrendo por consequência de uma frustração, de uma situação constrangedora, por estar cansado de repetir ou estar em determinada situação já há certo tempo. 
Sabendo que um sentimento tem sempre, no fundo, uma causa real, uma emoção inicial, podemos ver que a ansiedade pode ser apenas o reflexo de algo mais profundo e original. É um medo guardado, um receio. E é preciso encontrar sua fonte original. Para isso, uma conversa, visualizando-se como um “outro eu” que representa a ansiedade, deve ser realizada várias vezes até que surjam essas causas. 
Uma perda, pode gerar um profundo desgosto ou medos variados. Se os sentimentos forem reprimidos, podem gerar inércia, porque o medo de seguir adiante, quando a perda não foi bem trabalhada, gera uma negação. Um medo por trauma, pode gerar insegurança nas mais diversas situações. Então, uma ansiedade também é algo que precisa ser pesquisado, para que se encontre sua origem, como um fato, uma situação perturbadora, que tenha marcado profundamente. 

Ansiedade = antecipação – perda futura; medo do futuro. Depressão – perda passada. 


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